segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ele acordou. A primeira coisa que conseguiu sentir foi o amargo de sua boca, resultado de uma noite de sono pesado, que só pode ser obtida com a ajuda do bom e velho revotril. Seus músculos estavam aos poucos se despertando e seus olhos se habituando a luz do dia que começava cedo a invadir seu quarto, que já estava invadido pela velha presença que ele, mesmo sabendo que não o faz bem, insistia em manter ao seu lado. Colocou o primeiro pé no chão e assim depois o outro, seu dia já havia começado. Foi direto para o chuveiro. Debaixo da água sua mente continuava a funcionar sem que ele tivesse um minuto só, para se recompor de tudo que já havia pensado no trajeto do quarto até o banheiro. Fez toda sua higiene, e a única coisa que se permitiu foram alguns minutos a mais em frente ao espelho, ali ficou se olhando fixamente, talvez tentando entender uma porção de coisas que jamais vai conseguir. Seguindo sua vida longe de sua imagem agora, ele estava novamente na mesa do café, sozinho com seu pão e seu leite. Fazendo igual a antes ele saiu de casa, sem se preocupar em olhar para trás e ver se tava tudo certo, por que para ele tanto fazia o certo e o errado, apenas havia o velho trajeto até o ponto de ônibus. Já conseguia reconhecer os cobradores pelas características marcantes de cada um. Dentro do ônibus ele sentou-se e ouviu aquela musica que estava marcada dentro do seu celular como a que ele ouve dentro do ônibus. O trajeto já não tinha mais suas características peculiares, as paisagens apenas se repetiam na rotina da janela que se fechava todos os dias. Assim, ele conseguiu chegar a onde queria, ao seu trabalho, o que ele fazia para poder ter onde morar e o que comer, até por que sua vida não vinha passando disso. Cumprimentou o porteiro do prédio, ele já sabia os comentários que ele iria ouvir, por isso talvez também ele tivesse já as respostas prontas para tais comentários. Sentou em seu cubículo para fazer aquilo para o que era pago. Seguia sem vontade colocando sua criatividade para criar o que lhe pediam. Criou o dia todo, mesmo sem conseguir criar o que precisava para si mesmo. Parou somente para o almoço e mais nada, nem fazia questão de se levantar do seu cubículo, a não ser que isso lhe fosse pedido por uma ordem superior, não fazia questão de ter contato com quem estava do seu lado, ele sabia o que necessitava e sabia que também não conseguiria. No fim do experiente houve novamente o convite para esticar do escritório para um bar. Gentilmente disse que não poderia ir por que não se sentia muito disposto, enquanto respondia dentro de si ele criava sua imagem em um bar, era meio assombroso ver e ouvir as risadas em seu silencio sentindo apenas a real companhia do copo de cerveja que ele vinha tentando afastar da sua vida. Portanto, só seguiu para o lugar certo para pegar o ônibus que o deixaria em casa. Chegou cansado como se era de esperar, mas ele sabia que seu cansaço não era pelo trabalho nem pelo que teria que fazer em casa, era na verdade o cansaço que vinha a muito já sentindo todos os dias. Em casa, colocou a roupa suja para lavar, trocou de roupa e se pôs a limpar sutilmente os cômodos, só para amenizar um pouco a sujeira. Tomou um banho, dessa vez sem fazer nenhuma concessão. Foi para cozinha e preparou um lanche que achou necessário para se manter bem. Estendeu a roupa que estava na maquina antes de ir para o quarto e assim se preparar para dormir. Mais um dia havia se passado em sua vida e nada, absolutamente nada havia mudado. Ele seguia com seu amor encravado em seu espírito, a lhe machucar diariamente, sem nem ao menos ter a esperança de que isso pudesse mudar, havia se conformado com o seu amor impossível e não via por que lutar para se sentir diferente. Não podia tomar nenhuma medida drástica, não podia ser egoísta por que se preocupava com as poucas pessoas que se importavam verdadeiramente com ele, não queria que elas sentissem o que ele sentia. Enfim deitou-se em sua cama, apagou a luz, fechou os olhos e pensou a única coisa que infelizmente ele pensava. Eu ainda te amo.

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