quinta-feira, 28 de julho de 2011

Espinhosa Carapaça

Eu só preciso despejar algumas coisas que não cabem mais dentro de mim. Exportar para fora aquilo que se tornou grande demais para que eu carregasse no peito. Eu ainda não entendi como que foi parar ali, era pra ter sido só de passagem e era para ter passado em outras partes, mas não a onde está. Por que está em um lugar inalcançável, e se protegeu dentro de uma carapaça espinhosa que tem perfurado meu ser em todos os simples gestos dos seus olhos.
Olhos que por sua breve inocência me olhavam com desprezo, algo natural vindo de alguém que procura a perfeição. Pena que não me encaixei em sua definição de perfeição, o seu perfeito é algo que você só vê em corpos que infelizmente não me pertencem.
Sinto muito se na minha Via Crúcis do corpo não consegui chegar ao calvário da sua perfeição, é que simplesmente não fazia parte de mim, ser o que você buscava, em minhas células estava escrito o contrário. E você nem deu uma chance de mostrar os meus outros códigos, que poderiam ser compatíveis com os seus.
 Enquanto você não encontrava sua perfeição usou de mim. E enquanto você tinha a mim aproveitou para se moldar em cima do que sou, foi tirando de mim detalhes que te faltavam, e assim se construindo perfeitamente a minha imagem – que não condizia com a sua perfeição.
Mesmo você estando pronto ainda não se sentia capaz de se atirar em cima do que pra ti é perfeito. Talvez pela minha natureza sádica eu ainda te ajudei a se firmar mais. Mesmo machucado pela carapaça protetora daquilo que havia dentro de mim, eu fui capaz de te conceber perfeito para sua perfeição. Como um cordeiro eu te preparei para o sacrifício. Só que quem mais se sacrificou fui eu.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Confissão - Vadia

Vadia. Assim já me chamaram várias vezes, podem pensar que soa ofensivo, mas eu não ligo. Acho até graça, não dizem que todos têm que ser alguma coisa? Pois bem, eis ai uma coisa que eu não ligo de ser. Vadia. Eu gosto de me exibir, mostrar o que trago comigo e o que acho realmente bonito. Vivo em uma dieta da fome para manter esse corpo, minhas atividades físicas são sexo, aliás, muito sexo, e adoro dançar também, ver todos os homens desejando meu rebolado e imaginando esse rebolado em cima deles. E bem desse jeitinho que eu faço, e cada vez com mais tesão deixo eles loucos, com gostinho de quero mais. Pena que para mim é uma pra cada. É que tem muito homem por ai e tenho muito a experimentar.
Eu não sei por que sou assim, acho que é meio que síndrome de Gabriela: nasci, cresci e vou morrer assim. Gostosa e dona do meu corpo sendo feliz em cada macho que me domina, ou pensa que me domina. Por que é assim, a gente às vezes tem que deixar eles pensarem que estão fazendo tudo sozinhos, mesmo que sejamos nós a estar fazendo a festa. Quando pensam que estão por cima eles ficam mais loucos, ao pensarem que são eles que sabem fazer nos fazem sentir mais forte. Nessa hora é que agradeço por ter coragem de ser quem sou, por que é nessa hora em que meu corpo queima em que acho que vou perder o controle, na hora em que essa sensação invade meu corpo eu sou a pessoa mais feliz do mundo.
Tem gente que vem me perguntar a onde é que eu coloco o amor. Meus caros saibam vocês que eu fodo com o amor. Se ele tiver mais que 1,80, for forte e tiver pegada, me entrego por completa faço do meu corpo sua vida e deixo o amor me dominar. O melhor de tudo isso é que a dor que o amor me causa é a dor do prazer. Seus tolos, o que vocês não entendem é que eu amo com o meu corpo, ele é minha maior garantia de liberdade, tenho direito de fazer dele o que bem entender, e eu uso para o amor. O meu amor, feito na cama, no carro, na rua a onde for. Um amor que esquenta e me satisfaz. Até por que pra cada dia sei que terei um amor diferente.
Um dia uma velha senhora, no alto de seu trono de sabedoria – que fique claro que esse trono era uma velha poltrona vermelha com cheiro de suor velho, apodrecido pelo tempo – me disse que se era para eu sair por ai me distribuindo desse jeito então que pelo menos eu cobrasse que ganhasse alguma coisa com essa vida que eu tinha escolhido para mim.  Mas não quis fazer isso, não queria transformar o que me satisfazia em algo que se tornasse uma obrigação na minha vida. Era para ser livre feito da maneira que eu bem entendo. Eu transo por prazer e por vontade, não faço isso por que preciso. Alias preciso, mas não como forma de me manter financeiramente, para isso tem meu trabalho; preciso para me manter como mulher que sou e escolhi ser, uma mulher satisfeita em não ter esses pudores bobos e que é livre para dar a hora que quiser.
Sou vadia e sou mulher, sou o que quero e posso ser o que quiserem desde que me satisfaçam.